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CHARLOTTE JOKO BECK
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Charlotte Joko Beck (1917 - )
Joko Beck é uma americana zen, original. Nascida em Nova Jersey, educada em escolas públicas e no Conservatório de Música Oberlin, Joko (então Charlotte) casou-se e começou a criar sua família. Quando o casamento se desfez, ela sustentou a si e aos quatro filhos como professora, secretária e, depois, assistente administrativa de um grande departamento de uma universidade. Não antes dos quarenta e poucos anos foi que Joko iniciou sua prática zen com Roshi Maezumi (então Sensei ), de Los Angeles e, mais tarde, com Roshi Yasutani e Roshi Esoen. Durante anos, ia com regularidade de San Diego até o Zen Center de Los Angeles (ZCLA). Sua aptidão natural e diligência persistente permitiram-lhe progredir com rapidez; conforme os demais alunos constatavam sua maturidade, sua clareza e sua compaixão, ela começou a se sentir cada vez mais atraída a ensinar outras pessoas. Joko terminou sendo indicada como a terceira Dharma Herdeira de Roshi Maezumi, e, em 1983, mudou-se para o Zen Center de San Diego, onde mora e leciona nos dias de hoje.
Como uma mulher americana, cuja vida estava bastante consolidada antes de começar a praticar, Joko estava livre dos tropeços e impedimentos patriarcais do zen japonês tradicional. Isenta de pretensões ou vaidade, ela leciona uma forma de zen que manifesta o antigo princípio Chan do wu shih - "nada especial". Depois de ter se mudado para San Diego, ela não raspa mais a cabeça e poucas vezes veste mantos ou usa seus títulos. Ela e seus alunos estão desenvolvendo um zen americano nativo que, embora rigoroso e disciplinado, está adaptado a temperamentos e modos de vida ocidentais.
Os pronunciamentos dharrna de Joko são modelos de uma simplicidade incisiva e de um senso comum perspicaz. Sua própria existência de lutas e crescimento e seus muitos anos de compaixão sensata em resposta aos traumas e às confusões de seus alunos originaram nela tanto uma espantosa capacidade de insight como a presença pedagógica de frases hábeis e imagens ricas. Seu ensinamento é bastante pragmático, menos voltado para a busca concentrada de experiências peculiares e mais dedicado ao desenvolvimento da compreensão relativa à totalidade da vida. Claramente ciente de que uma abertura espiritual intensa induzida de modo artificial não assegura uma vida organizada e compadecida (e pode inclusive ser prejudiciaI), Joko mantém uma distância cética em relação a todos os esforços musculares de superação das próprias resistências e diante de todos os atalhos para a salvação. Ela prefere um desenvolvimento mais lento, saudável e responsável da personalidade como um todo, no qual os obstáculos psicológicos são confrontados em vez de ignorados. Um de seus alunos, Elihu Genmyo Smith, reflete o modo como sua mestra pensa com a seguinte descrição:
"Existe uma outra forma de prática que chamo de "trabalhar com todas as coisas", incluindo as emoções, os pensamentos, as sensações e os sentimentos. Em vez de afastá-los ou mantê-los à distância com o uso da mente, tornando-a uma espécie de muro de ferro, e perfurar seu cerco com nosso poder de concentração, abrimo-nos para tais vivências. Desenvolvemos nossa percepção conscientes do que está ocorrendo a cada momento, de quais pensamentos estão surgindo e passando, de quais emoções estamos sentindo, e assim por diante. Em vez de uma concentração de foco estreito, a nossa é uma conscientização extensa.
O foco consiste em tornando-nos mais conscientes e despertos para o que está ocorrendo "dentro" e "fora"."
No sentar, sentimos o que é, e permitimos que isso prossiga, sem tentar contê-lo, analisá-lo, afastá-lo. Quanto mais enxergamos com nitidez a natureza de nossas sensações, nossas emoções e nossos pensamentos, mais seremos capazes de enxergar naturalmente através deles".
Agindo a partir de uma noção de igualdade, Joko considera-se mais uma guia do que um gurú, recusando-se a ser posta em qualquer pedestal. Em vez disso, partilha as próprias dificuldades existenciais, criando dessa forma um ambiente de trocas que fortalece, em seus alunos, a capacidade de buscar seu próprio caminho.
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