“The pictures were painted directly through me, without any preliminary drawings and with great force. I had no idea what the paintings were supposed to depict nevertheless, I worked swiftly and surely, without changing a single brushstroke.”

Hilma af Klint



The metaphysical empiricism of Hilma af Klint - Dr. Tessel M. Bauduin – Radboud University, Nijmegen 



Hilma af Klint em seu estúdio em Estocolmo
Hilma af Klint
Hilma af Klint

HILMA AF KLINT  


Hilma af Klint
(1862 – 1944)

Obras da Autora em Exibição

H ilma af Klint nasceu em Solna, município integrado a área metropolitana de Estocolmo (Suecia). De 1882 a 1887 frequentou a Real Academia Sueca de Artes. Alguns anos mais tarde, a academia colocou um estúdio para Hilma e outros dois companheiros no bairro artístico e boêmio de Estocolmo, o Kungstraedgaarden, para que desenvolvessem seu talento. Alí, Klint realizou tanto retratos como paisagens de estilo naturalista.

A partir de 1896 Hilma af Klint começou a frequentar grupos espíritas e ocultistas. Junto a outras quatro amigas formaram un grupo chamado As Cinco. Klint e suas amigas pintavam e escreviam em estado de transe. En 1906 começou uma de suas séries artísticas emblemáticas: Os quadros para o templo. Em 1908 conheceu Rudolf Steiner, membro destacado da Sociedade Teosófica e fundador da Antroposofía.

Hilma af Klint suspendeu seu trabalho para assistir a mãe sua dependente, período no qual abandonou o bairro de Kungstraedgaarden. Não retomou seu trabalho em pintura com os quadros para o templo até 1912, trabalho que concluiu em 1915. Um ano depois, pintou sob a influência da geometría abstrata a serie Parsifal e em 1917, a serie Átomo.

Em 1920, ano em que morreu sua mãe, viajou à Suiça, onde se reencontrou con Rudolf Steiner. Alí se uniu à Sociedade Teosófica e estudou seus textos. Realizou uma série de pinturas sobre as grandes religiões do mundo.

Em 1925, abandonou a pintura por completo para dedicar-se aos estudos teosóficos. Morreu em um acidente em 1944.

Obra artística

Foi uma inovadora radical de um tipo de arte que dava as costas à realidade visivel. Desde 1906 desenvolveu uma linguagem abstrata. A obra de Hilma af Klint não é uma abstração real da cor e da forma em sí mesmas, mas trata de modelar o invisível. Isto sucedeu anos antes de aparecer a obra de Wassily Kandinsky, Piet Mondrian e Kazimir Malevitj, que ainda são tratados como os precursores da arte abstrata em principios do século XX.

Após abandonar a linguagem figurativa naturalista, Hilma af Klint parte do princípio de que existe uma dimensão espiritual na existência e quer fazer visivel o contexto que existe mais além do que o olho pode ver. Como outros de seus contemporâneos, ela está influenciada pelas correntes espirituais da época, particularmente o espiritismo, a teosofía e a antroposofía. Tem a consciência de que quando pinta mantém um nexo de união com um conhecimento superior que envia uma mensagem através dela. Sua pintura explora a existência humana em diferentes dimensões.

Hilma af Klint realizou mais de 1000 trabalhos, entre pinturas e obra em papel. Em vida, expôs suas primeiras obras figurativas, mas nunca a abstrata. Em seu testamento constou que sua obra abstrata não seria exposta em público até vinte anos depois de sua morte, dado que estava convencida de que até lá não se poderia valorizar e compreender sua obra em sua justa medida.

Descoberta por acaso

Completamente desconhecida até pouco tempo atrás, sua obra foi descoberta por acaso, em 1985 - até então esteve armazenada em um porão do Centro Antroposófico de Estocolmo, na Suécia.

No final dos anos 60 seus parentes fizeram uma tentativa de encaminhar alguns de seus trabalhos até o Museu de Arte de Estocolmo (Moderna Museet). Na época o diretor do museu Pontus Hulten, um especialista em Malevich, recusou-se a aceitar os trabalhos pelo fato da artista ser uma mulher - “uma mulher louca quem fez isso“. Assim, os trabalhos voltaram novamente ao Centro Anstroposófico de Estocolmo onde estiveram guardados esperando o tempo certo para virem a público. Na verdade, o desejo da própria Hilma af Klint foi que seus trabalhos só fossem exibidos vinte anos após sua morte. Ela acreditava que sua obra não seria compreendida pelas pessoas. Esse pedido não significava excentricidade de artista. A história de Hilma af Klint é muito singular assim como sua obra. Rica em significados, complexidade e enigmas.



Exhibition: Hilma af Klint - A Pioneer of Abstraction at Moderna Museet, Stockholm