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JALAL AD-DIN MUHAMMAD BALKHI-RUMI
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Jalal ad-Din Muhammad Balkhi-Rumi
(1207 - 1273)
J
alal ad-Din Muhammad Balkhi-Rumi (1207 - 1273)
nasceu em Khulm e, logo após seu nascimento, sua família
mudou-se para Balkh, a 10 km de distância. Seu pai era Naqshband e
encadernador por profissão. Rumi foi educado em ambas as coisas desde
sua infância.
Quando completou quinze anos, seu pai o enviou a Gazorgah,
província do Afeganistão Ocidental, acompanhado de um tio, que também
era encadernador. Gazorgah ocupa um lugar importante dentro da
Tradição, pois lá se encontra a tumba do Hodja Abdullah Ansari. Ansar era
o nome dado àqueles que deixaram Meca para acompanhar o Profeta
(Mohammed) a Medina. Hoje em dia, este nome é amplamente utilizado em
outros países, porém o verdadeiro significado de Ansar é "Aquele que
abandonou tudo".
A razão de sua viagem a Gazorgah era que ali havia uma imensa
biblioteca e seu tio fora contratado para reencadernar os livros. Rumi ali
viveu por nove anos. Depois foi a Qandahar para estudar Tafsil, isto é, a
"compreensão do Alcorão", na mesquita onde está o manto do Profeta.
Naquele tempo, esta região ainda pertencia ao Khorassan, que se
estendia por Herat, Hazarayat, Mashad, até o mar Cáspio. O Sheik
Naqshband de toda essa região era o Sayed Zahir Shah, de quem Rumi
tornou-se discípulo.
Zahir Shah ordenou que Rumi fizesse uma viagem de sete anos sem
lhe dizer aonde deveria ir. O dia de seu regresso coincidiu com o funeral de
seu Sheik. Pediram-lhe que fosse à casa de Zahir, dizendo-lhe que este lhe
havia deixado algumas coisas. Estas eram um tasbih (rosário) e um manto
- o manto de um Sheik Naqshband. Assim, Rumi tornou-se o sucessor de
Zahir Shah, e permaneceu em Gazorgah, Herat e Mazar-i-Sharif pelos sete
anos seguintes.
Ao final do Ramadan, Rumi regressou a Qandahar, onde, na Grande
Mesquita, se encontra o manto do Profeta, guardado em uma caixa na
parede, que não pode ser aberta senão na presença de quatro Sayeds.
Naquele ano, quatro Sayeds estavam em Qandahar e decidiram abrir a
caixa e tirar o Manto, e todas as pessoas reuniram-se na Mesquita para vêlo.
Rumi, que estava na Mesquita com as demais pessoas, dirigiu-se a
alguém a seu lado, a quem não conhecia, e disse: "Amigo, podes levar-me a
casa onde estou hospedado, pois fiquei cego?" — "Não," disse o homem que
se vestia todo de verde, "mas vem comigo e iremos a Konya."
Dessa maneira, eles partiram, e, quando chegaram a Konya, o
Homem Verde lhe disse: "Agora podes ver, e te proporcionei ainda a
habilidade de ver qual é tua missão aqui", e desapareceu. Rumi então
conseguiu uma pequena cabana, onde hoje é a cidade nova de Konya, e
começou a falar às pessoas e a trabalhar e a dar conferências. Um ano
depois, em vinte e um do Ramadan, Rumi dormia, quando foi despertado
por alguém que o sacudia. Percebeu que o Homem Verde estava a seu
lado, dizendo-lhe: "Jalaluddin, por que não estás escrevendo?" Rumi
respondeu: "Khidr Elias, eu não sei escrever". Ao que o Homem Verde
disse: "Não tenho tempo para ensinar-te; assim, escreve!" Rumi então se
levantou e viu que diante dele havia papel, pena e tinta, e começou a
escrever. E escreveu o Masnavi.
Algum tempo depois, porque as coisas que Rumi estava dizendo e
fazendo se tornaram "muito fortes", apareceu em Konya um homem
chamado Shams. Ele veio para que aquelas palavras e ações de Rumi que
fossem demasiado poderosas pudessem ser absorvidas e diluídas através
dele, tornando-se assim compreensíveis para as pessoas. Depois de alguns
anos, Shams regressou a Bagdá, onde morreu e está sepultado. Sua
tumba está à esquerda da de Al-Ghazzali, no mausoléu de Al-Ghazzali, e,
embora a inscrição esteja ilegível, ainda pode ser identificada pelo número
613. De acordo com o sistema abjad, (ABJAD: Sistema alfanumérico da
língua árabe, equivalente à Cabala hebraica.) 613 equivale alfabeticamente
a Shams. Por ser conhecido como Shams-i-Tabriz, acredita-se que ele seja
proveniente de Tabriz, uma cidade da Pérsia. Porém, seu verdadeiro nome
era Sayed Shamsuddin Shah, e era filho do Sayed Zahir Shah.
Rumi está sepultado exatamente no lugar que ele mesmo indicou,
em Konya. Ali existem quatro criptas, e sua tumba está alguns metros
abaixo da superfície.
Certos detalhes da vida de Rumi eram irrelevantes, mas certos
pontos eram muito importantes. Tais pontos eram aqueles para onde fora
enviado por seu Sheik. Sua vida se divide em períodos de diferentes
durações, e cada movimento significava que se havia cumprido uma certa
etapa e ele passava à seguinte. O próprio Rumi pode não ter sabido aonde
ia e por quanto tempo, mas seu Sheik sim o sabia, pois fora ele que
planejara a configuração total desde o princípio. O único fator
desconhecido era a duração exata de cada etapa.
Pode acontecer que, em um momento do caminho, um Sheik diga a
seu discípulo: "Agora volta para tua casa". Isto será muito difícil para esse
homem, porém esta ordem é definitiva e não há possibilidade mediante a
qual esse homem possa continuar.
O caminho, em sua totalidade, é muito difícil. Attar dizia que por
vezes parecia-lhe que todos e cada um de seus nervos se crispavam e
afloravam à superfície de seu corpo, de maneira que uma brisa, por mais
suave que fosse, sobre sua pele, causava-lhe um enorme sofrimento. No
entanto, apesar das dificuldades e dos sofrimentos, estima-se que apenas
4% são descartados, e este cálculo é feito através dos séculos, não somente
dos anos. Esta cifra tão baixa deve-se ao fato de que as pessoas não são
tomadas ao acaso, e sim escolhidas, e o Sheik conhece a quem está
escolhendo.
Rumi criou a dança Mevlevi, que ele próprio designava uma criação
estratégica. Entre Europa e Turquia havia uma necessidade de
ajustamento, alinhamento e controle. A dança Mevlevi, o sarna, era este
controle.
(Extrato de uma transcrição de duas falas de Omar Ali Shah, em
Konya, 1982)
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